Imagens, depoimentos de atletas e Boletim de Ocorrência contradizem súmula da partida do Amazonense Sub-20; Procuradoria pede a condenação dos envolvidos e responsabilização da entidade
Em uma reviravolta decisiva na apuração dos fatos ocorridos na final do Campeonato Amazonense de Futsal Sub-20, entre Recanto da Criança e Grêmio da Amazônia, a Procuradoria da Justiça Desportiva do Amazonas (TJD-AM) formalizou denúncia e pediu a condenação do árbitro principal, do representante da partida e da própria Federação Amazonense de Futebol de Salão (FAFS) – que determinou a suspensão do time sem apurar os fatos.
A decisão do órgão ministerial ocorre após a defesa demonstrar que as agressões foram iniciadas pelo próprio árbitro da partida, Elson Batista Barão. De acordo com as provas colhidas e a Notícia de Infração acolhida pelo TJD-AM, o atleta Kevin Gabriel dirigiu-se ao juiz apenas para fazer uma reclamação verbal ao término do jogo quando foi agredido com um soco no peito.
Além da conduta individual da arbitragem e do representante Bruno Simão Epifânio, a Procuradoria incluiu a própria Federação no polo passivo da denúncia por falhas na organização, omissão e pela elaboração de relatos e súmulas com informações distorcidas.
A tese da defesa é sustentada por gravações em vídeo anexadas aos autos, pelo Boletim de Ocorrência nº 00241905/2026 e pelos depoimentos prestados pelas testemunhas e demais atletas. O advogado de defesa da instituição, Marcelo Amil, destacou que a inclusão da Federação na denúncia reforça a gravidade do ocorrido e restabelece a verdade sobre o episódio.
“Desde o primeiro momento sustentamos que os nossos atletas foram vítimas de uma conduta abusiva e violenta por parte de quem deveria zelar pelas regras e pela segurança do jogo. A súmula apresentou uma versão distorcida e omissa dos fatos, mas as imagens e depoimentos provaram a verdade. A denúncia da Procuradoria pedindo a condenação da arbitragem e a inclusão da própria Federação mostram que as instituições desportivas também precisam prestar contas por suas omissões”, afirmou Marcelo Amil.
Incongruências na súmula e alívio para as famílias
A 1ª Comissão Disciplinar do TJD-AM já havia registrado em acórdão a existência de “dúvidas substanciais sobre a integralidade e a veracidade dos fatos narrados” no relatório oficial do jogo. Diante do vasto conjunto probatório, o Procurador Geral do Futsal/AM, Bruno Glória, entendeu haver elementos suficientes sobre a autoria e a responsabilidade dos envolvidos, requerendo o julgamento e a punição dos denunciados.
Para os familiares dos jovens jogadores de base, que acompanharam de perto o desgaste emocional e a dor da punição injusta, a decisão traz alívio e renova a confiança na Justiça Desportiva.
“Ver o meu filho angustiado nesses últimos tempos, sofrendo em silêncio sem poder fazer o que ele mais ama, que é jogar futebol, foi destruidor para toda a nossa família. Ele foi vítima de uma injustiça gigantesca. Ver a Procuradoria denunciar quem realmente errou nos traz uma esperança enorme e o sentimento de que a verdade finalmente está vindo à tona”, desabafou o pai de um dos atletas do Recanto da Criança.
Com informações da Assessoria de Imprensa
