Caso envolve gol contra proposital em jogo contra o Manaus, que terminou empatado. O pedido requer também a paralisação temporária da competição, sob o argumento de que a continuidade poderia comprometer sua credibilidade
A Procuradoria do Tribunal de Justiça Desportiva do Amazonas (TJD-AM), por meio do Procurador-Geral Dr. Ruy Silvio Lima de Mendonça, ingressou nesta segunda-feira (25) com medida inominada e tutela de urgência requerendo a suspensão preventiva de duas atletas do Itacoatiara FC: a zagueira Luana Santos Gonçalves e a goleira Alexa Gabriela.
A ação tem como base a súmula da partida entre Itacoatiara e Manaus, realizada no último sábado (23), no estádio Floro de Mendonça, válida pela quinta rodada do Campeonato Amazonense Feminino 2025. O documento aponta indícios de conduta irregular das jogadoras, levantando suspeita de manipulação de resultado.
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O caso
Na súmula, o árbitro Geodivan Welder Corrêa de Siqueira relatou que, aos 39 minutos do segundo tempo, Luana chutou deliberadamente contra a própria meta, sem pressão adversária, enquanto a goleira não tentou impedir o gol. Após o lance, a atleta teria dito às jogadoras do Manaus: “Bora Manaus, agora bora jogar. Pronto, tá aí o jogo agora.”
O Itacoatiara havia aberto o placar com Layla, aos 10 minutos do primeiro tempo, e vencia até o lance em questão. A vitória parcial levaria o clube do interior à vice-liderança, com nove pontos e vaga direta na semifinal. Com o empate em 1 a 1, quem terminou nesta condição foi o Manaus, que chegou a oito pontos.
Consequências possíveis
Entre os pontos destacados pela Procuradoria estão “falhas incompatíveis com a normalidade competitiva”, “erros técnicos incomuns” e comportamento considerado “suspeito” e “lesivo à lisura da competição”.
O pedido vai além da suspensão das jogadoras: requer também a paralisação temporária do Campeonato Amazonense Feminino 2025, sob o argumento de que a continuidade da competição poderia comprometer sua credibilidade.
As atletas podem ser enquadradas no artigo 243-A do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que trata da manipulação de resultados. As punições previstas variam de suspensão de 180 a 720 dias e multa de R$ 100 a R$ 100 mil. Caso as denúncias sejam comprovadas, a partida entre Itacoatiara e Manaus poderá ser anulada, o que alteraria os confrontos da segunda fase.
Repercussão
Em nota assinada pelo presidente Giovanni Alves e pelo presidente de honra Luis Mitoso, o Manaus FC repudiou o episódio e pediu punição exemplar:
“Em um momento onde todos lutam pela profissionalização do nosso futebol feminino, atitudes como esta, que ferem o Fair Play e indicam manipulação de resultados, devem ser punidas de forma exemplar.”
O pedido liminar será analisado pelo presidente do TJD-AM, Dr. Hugo Ribeiro, que decidirá sobre a concessão da suspensão preventiva e da paralisação do campeonato.
Até o fechamento desta reportagem, a Federação Amazonense de Futebol (FAF) e o Itacoatiara FC não haviam se manifestado.
